quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Quem conta um conto aumenta muitos pontos....

Em novembro de 2006 fui a0 enterro do meu cunhado, que faleceu em Pisa.
Ele morava em Roma mas estava lá se tratando há meses...
Antes de morrer, ele pediu que fosse cremado e os dois filhos , atenderam ao pedido.
O filho mais novo , providenciou tudo o que era necessário.
Comprou terno, camisa, sapatos novos e se dedicou a encontrar um “foulards” azul escuro de listras brancas, aquele lenço que se coloca no pescoço, geralmente no frio como uma echarpe, exatamente como foi pedido dias antes de morrer.
O caixão foi levado para o crematório e só o filho e o tio participaram da cremação.
Depois as cinzas foram colocadas numa urna pequena, lacrada, a qual deveria ser transportada para Roma, num carro especial.
Quando o carro com a urna chegou, todos os familiares e amigos já se encontravam na igreja local.
Apenas o filho esperava fora para levar a urna até o altar.
A igreja estava cheia de flores e coroas.
A celebração foi breve, mas no final, para o meu espanto, subiu ao altar a filha, depois o filho e por último a sobrinha e cada um leu uma carta que escrevera dando adeus e lembrando de muitas passagens em companhia dele.
Aquilo pra mim, gerou um enorme desconforto ao ver o quanto essa atitude aumentara o sofrimento de todos os presentes.
Ele se aposentara na polícia de Roma, e seus amigos devidamente uniformizados, estavam bastante emocionados.
Quando todos já haviam se despedido, a frente da pequena igreja era quase vazia Sai o filho carregando a pequena urna, abraçado com dois policiais amigos de seu pai.
Colocaram a urna no carro que a levaria para o cemitério, pois ainda as cinzas não poderiam ser lançadas ao mar por não ter autorização da prefeitura local.
Assim saíram da igreja, um policial de cada lado abraçando o filho do amigo que se fora.
Resolveram tomar um café no bar mais próximo. (Essa é a atitude que segue ou precede todo e qualquer evento para os italianos):
- “Prendiamo uno caffé insieme?” (tomamos um café juntos?).
Depois do café, cada um foi pra sua casa, e decidimos descansar após o almoço.
Já a noitinha após o jantar, meu marido resolveu sair um pouco e fomos tomar café.
Andamos calados, de mãos dadas, sentindo apenas um friozinho gostoso batendo no rosto.
Não foi difícil encontrarmos um bar, pois em cada quadra , na Itália, tem pelo menos dois.
Parece fechado pois como o frio é muito forte, nessa época, o sistema usado para esquentar o ambiente exige que a porta esteja fechada.
Entramos e logo sentimos o calor gostoso , pedimos o famoso “caffé ristretto”, aquele que vem só no fundinho da xícara, com uma espuminha beige em cima, que não desmancha, nem mesmo depois de mexer o açúcar, dá menos que um gole, mas o sabor fica na boca por horas...
Havia no bar, além de nós, uma senhora bem idosa , cabelos cor de neve , olhos e ouvidos aguçados para detectar tudo o que acontecia.
Como é de costume, cumprimentamos as pessoas ao entrarmos e acredito que isso a encorajou para iniciar uma conversa.
- Imaginem em que mundo estamos vivendo!!!!!!!
- A juventude está perdida mesmo ! Hoje pela manhã, eu estava passando em frente a igreja e vi dois policiais saírem de lá de dentro, agarrando um rapaz, bem vestido, que foi se esconder, depois de roubar uma caixa de madeira. È possível????, com certeza devia ser jóia ou droga. Que vergonha! É um absurdo! Aqui pertinho.......
Olhamos um para o outro e não conseguimos conter a risada.
Nos despedimos depressa e fomos embora.
Seria trágico se não fosse cômico!!

3 comentários:

Anônimo disse...

Célia,

ENTRAR NO SEU BLOG, É SEMPRE UMA SURPRESA! A GENTE RI E CHORA, COM A MESMA INTENSIDADE.

NÃO NOS DEIXE NA "MÃO"! PELA PRIMEIRA VEZ ESTOU ME SENTNDO "DEPENDENTE".
BJOS
BIA

Kika disse...

Celinha,
A vida nos prega peças né? Era pra ser uma noite, talvez triste, talvez vcs chorassem, talvez refletissem sobre a tristeza da morte e tal... Mas, de repente, eis que uma velhinha traz uma boa gargalhada...
E não é que com o post foi a mesma coisa? Achei que fosse ser triste, estava me preparando pra isso, quando soltei uma risada..
Adorei. Obrigada por nos divertir com as suas histórias! Esse blog é tudibom!:)
bjs
Kika

Carol Barcellos disse...

Bem, se eu tivesse perto da velhinha, eu ia explicar tudo a ela, e além de rir do acontecido, ia rir tb da cara que ela ia fazer qdo soubesse que tinha aumentado mil pontos, hahaha!!!
Beijos doces cristalizados!!!